Bem, pra começar a escrever como jornalista é preciso esclarecer alguns pontos iniciais. No primeiro semestre, somos aprendizes de “foca”, risonhos tentando equilibrar a bola no focinho. Geralmente, as disciplinas introdutórias se resumem a contar a trajetória do jornalismo ou, simplesmente, definir conceitos. O que aprendemos é muito superficial, mas já notamos algo de suma importância: a tal imparcialidade, aquela tão citada, divulgada e apregoada imparcialidade NÃO EXISTE!
Só com essa frase, já se desbanca o senso comum. Candidatos a jornalistas suspiram e se perguntam, mas como? E agora? Parece que tudo aquilo em que se acreditava, tudo o que idealizávamos da profissão desejada era uma mentira. E não deixa de ser... Mas vamos com calma que o santo é de barro!
A imparcialidade não existe porque nada é imparcial. Do momento em que acordamos, abrimos os olhos, andamos e traçamos nossa rotina, fazemos nossas escolhas. Quando escolhemos algo, deixamos a imparcialidade utópica em segundo plano.
O que nós todos, como seres humanos, podemos fazer é ser pouco parciais. A antropologia, estudo da cultura do homem, propõe justamente isso: examinar a lógica para a construção da cultura humana sem interferências, sem questionamentos, apenas respeitando. Isso para o ser humano é realmente difícil. Respeitar outra cultura sem distinção de superioridade ou inferioridade é quase impossível. Por isso é importante, também para o jornalista, estudar antropologia, sociologia, teoria (e tantas mais “ias”); para saber relatar sem se envolver, apenas descrevendo.
Ainda assim, na descrição dos fatos, é necessário cuidar para que não se oportunize apenas uma interpretação. O importante é trazer uma leitura crítica para que quem a receba forme sua própria opinião. Para isso, é necessário “cruzar dados”, ou seja, ouvir diversos posicionamentos sobre determinada questão.
O próprio conceito de notícia estabelece parcialidade. Quando buscamos algo diferente do cotidiano, a notícia propriamente dita, estamos abrindo mão de outros fatos considerados menos importantes, portanto, sendo “parcialmente parciais”, (se é que assim pode ser classificado).Você pode estar se perguntando, por que ela está falando tudo isso? Aonde ela quer chegar?
Em dezembro deste ano será implantada a TV Brasil, a nova TV pública brasileira. É, mais uma televisão no Brasil... O que iremos assistir agora? Houve entre os dias 22 e 24 de agosto um workshop de programação para esta TV, do qual o Jornal ATarde participou. Para este veículo, o workshop foi um evento importante para reforçar a “liberdade de imprensa”.
Liberdade de imprensa? Acho que consegui chegar onde queria. Afinal, o que é liberdade de imprensa? É escrever e veicular o que der na telha? É editar o discurso de uma personalidade para o que for conveniente? Acho que muitos dos meus colegas se perguntam até hoje. Acho que alguns, inclusive, acreditam piamente em tudo o que está “escrito” no rótulo da comunicação social.
A palavra liberdade por si só declara onipotência. Mas não é bem assim. Quando nos propomos a lidar com a informação, com o dom da palavra pública, assumimos uma responsabilidade gigantesca. Por isso é tão importante deixar tudo bastante claro para que não restem dúvidas. E por isso, também, é importante que o público tenha discernimento crítico para contextualizar, avaliar e interpretar aquilo que lê, vê ou ouve nos meios de comunicação. A vida não é tão “mastigada”, meus caros!
Finalizo com incógnitas a mim e a vocês: serei eu capaz de bem atingir? Serão vocês capazes de serem bem atingidos? Afinal, como vocês estão se formando e informando?
(Elisa Bastos Araujo - 2007)
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