segunda-feira, 27 de julho de 2009

Carta a alguém especial

Carta a alguém especial


Nem lembrava como era me sentir assim... Parece que você renovou o meu “eu” e conseguiu me transformar em uma criança novamente, daquelas bem traquinas e que nunca sabem o que estão fazendo. Parece que eu descobri uma parte morta de mim, ou que nunca teve a chance de nascer; aquela parte ofuscada pela antecipação da minha maturidade, pela falta de vivência nua da minha adolescência. Só sei que não sou mais eu, e a cada segundo eu gosto muito mais de estar ao seu lado. Passam-se os dias, as horas, os segundos, e eu rezo, rezo para que quando você se sente ao meu lado, me abrace, como das outras centenas de vezes em que nossos corpos dividiram o mesmo espaço. Apaixonei-me pelo seu jeito de sorrir, desconcertado e lascivo, sorriso este que emites a cada conquista ou a cada despedida. Sei também que não quero me ver longe de você, que não quero dividir as minhas manhãs com outra pessoa. Descobri o que sinto, quando, ao te olhar, encontrei também o seu olhar, um olhar que eu procurei por anos e anos desperdiçados com a distância de não te conhecer. Não é nada demais gostar de alguém, não é nada demais. Não nos roubam a vida se não deixamos e não nos afrontam se não nos entregamos, mas nem sempre se entregar chega a ser algo ruim. Gostar, antes de amar, é sentir, unicamente, sempre. Acima de todas as coisas, mesmo que para isso tenhamos que renunciar. Não é nada demais... Sei o que sei porque a pouco descobri, quando fui obrigada a me desprender do meu passado para conquistar meu futuro. O que eu escuto por ai, de poucas pessoas por sinal, é que o nosso futuro está condicionado e que se não nos explicarmos um ao outro, se não formos sinceros diante do que está aos nossos olhos, sofreremos por algo não vivido. Talvez se não vivermos, sempre lembraremos do passado pensando em como seria se tivéssemos sido “nós”. É por isso que eu quero, hoje mais do que nunca. É por isso que eu te quero, tanto! Não sei mesmo porquê. Me meti em confusões, eu sei, senti tudo na hora errada. Não era pra ser assim, não agora. Se fosse de outro jeito... Se tivéssemos nos encontrado num cinema, num elevador, numa rua; se nos esbarrássemos e tivéssemos que pedir desculpas... Se eu não tivesse confundido tudo no início e tivesse percebido o que eu realmente queria... Se, se, se... O passado não volta! Outrora eu aconselhei alguém a não se condicionar, a não pensar em como seria ou como deveria ser. Olha eu aqui, errando como ele... Mas assim são os seres humanos, complicados. E por ser assim, acho que não entendes uma só palavra do que eu aqui descrevi, mas nem sempre a gente precisa entender o que vem do coração, basta sentir, e eu sinto! Talvez entenda, se identifique com o que eu também sinto. Ou talvez não sinta... Devemos sempre contar com todas as possibilidades, não é mesmo? Eu ainda não sei que tipo de amor é o nosso, ou o “meu”, mas posso afirmar que te amo... De um jeito que só eu sei, só eu! Às vezes as músicas falam por mim, poucas falam exatamente o que eu gostaria de dizer. Uma delas, no entanto, me chamou a atenção por parecer ser escrita neste exato minuto em que transponho o que sinto em um papel, na hora em que a minha vontade era pegar o telefone e te ligar dizendo tudo o que não tenho coragem de falar cara a cara... E, quem sabe também ouvir o mesmo vindo do outro lado da linha... “Quis evitar teus olhos, mas não pude reagir, fico à vontade então. Acho que é bobagem a mania de fingir negando a intenção. E quando um certo alguém cruzou o teu caminho e te mudou a direção... Chego a ficar sem jeito mas não deixo de seguir a tua aparição! E quando um certo alguém desperta um sentimento é melhor não resistir e se entregar... Me dê a mão, vem ser a minha estrela, complicação tão fácil de entender, vamos dançar, luzir a madrugada, inspiração pra tudo o que eu viver... E quando um certo alguém desperta um sentimento é melhor não resistir e se entregar...”(Um certo alguém - Lulu Santos)

Nenhum comentário:

Postar um comentário