Cinema baiano: a imagem que ninguém vê
Apesar de oferecer bons filmes e diretores, ainda enfrenta dificuldades
Por Elisa Bastos Araujo
Mesmo com os recentes destaques de filmes como “Ó Pai Ó”, dirigido por Monique Gardenberg, “Cidade Baixa”, de Sérgio Machado e “Eu me lembro”, de Edgard Navarro, e dos prêmios que estes conquistaram, o cinema baiano ainda não atingiu o grande público local. Boa parte da população desconhece as produções baianas e acredita que a cinematografia na Bahia tenha se iniciado com estes últimos filmes. Os cineastas baianos, há muito tempo, sofrem com as dificuldades encontradas para se fazer filmes na Bahia, pois não há divulgação. Alguns dos filmes baianos participam de festivais e premiações, mas muitos deles não alcançam sucesso nas bilheterias.
Alguns recursos poderiam contribuir para a visibilidade do cinema baiano. Existe na capital baiana um curso de cinema da Faculdade de Tecnologia e Ciências, (FTC). Além disso, a Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia, UFBA, discute a implantação de mais uma escola de cinema e audiovisual, mostrando que há, senão mercado, interesse em fomentá-lo. Houve também, o seminário internacional de cinema, ocorrido entre os dias 9 e 14 de julho deste ano, que debateu a situação do cinema baiano, apontando soluções prováveis. Há, também, uma jornada de cinema da Bahia, desde janeiro de 1972. Existe, ainda, apoio da Fundação Cultural, através da Dimas, Diretoria de Artes Visuais e Multimeios e da Associação Baiana de Cinema e Vídeo, ABCV.
No entanto, ainda há dificuldades em se fazer cinema na Bahia. Segundo Sandro Santana, produtor cultural de Salvador, apenas 8% da população baiana têm condições de ir ao cinema, o que dificulta ainda mais a produção de filmes na Bahia, pois há falta de público pagante. Há carência, também, de mercado publicitário.
A atividade cinematográfica baiana floresceu entre os anos de 1958 e 1962, com os cineastas Rodrigo Pires e Glauber Rocha, sem nunca obterem grande retorno. Após a ida de Glauber e Rodrigo para o Rio, o que pode ser denominado “ciclo” baiano acabou e, depois disso só voltou a entrar em cartaz na década de 90, com 3 histórias da Bahia.
QUEM FAZ CINEMA NA BAHIA - “O cenário do cinema baiano é exatamente igual ao cenário brasileiro: devagar quase parando. Com alguns momentos de luz, um vai e vem, altos e baixos, não há continuidade. Por isso há uma falsa impressão de retomada. Fazer só não adianta, o povo precisa ir ver.”, disse a atriz Luciana Rigueira, vencedora de prêmios de melhor atriz em Gramado e Brasília, em 1996 e em 2000, respectivamente. Ela sintetiza o que a maioria dos atores, diretores, roteiristas e estudantes de cinema na Bahia acreditam.
O ator Aldri Anunciação, por exemplo, já fez muitas produções baianas. Porém, só atingiu alguma visibilidade com filmes produzidos pela Globo, como “Muito gelo e dois dedos d’água”, “A Máquina” e “Mais uma vez amor”. Ainda assim, Aldri só conseguiu papéis secundários. Ele afirma que no Brasil, para viver da profissão de ator, “ou você é global ou você é global. Eu tive uma carreira cinematográfica muito boa, mas não houve continuidade.”.
Segundo o produtor Sandro Santana, “é preciso pensar em estratégias de distribuição e exibição que não se restrinjam a um dia de sonho”.
(Elias Bastos Araujo - 2007)
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