segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ela

Ela

Mais uma vez as coisas se complicam, e nada se pode fazer. O vento frio invade o quarto pela janela aberta, inventando danças suaves às cortinas que flutuam lentas e brancas. Estava ela ali, deitada na sua cama, diante da vidraça, sorrindo, olhando a brincadeira dos véus. Nem parecia que aquele barulho todo tinha se dado momentos antes, naquele mesmo dia, em sua cabeça. A triste menina que outrora chorava desenganada, estava naquele instante um tanto desorientada, frágil, e assim mesmo, sorrindo. Aquele segundo parecia inesquecível, mesmo que tenha sido o mais simples momento. Sabia ela que ao final daquela linda noite, logo tudo começaria e pelos piores eventos. Não queria dormir. Queria aproveitar os seus únicos instantes de paz. Ela continuava imóvel, deitada em sua cama macia, sempre a observar o balanço da noite através de sua cortina. Seus pensamentos eram leves, como somente naquele instante do dia. Ela guardava o seu cansaço dentro de si para que aquele momento fosse perfeito. Seus sonhos foram brotando lentos e frios, como uma sombra que invade a luz. Suas angústias, aos poucos, foram caladas. E, então, ela conseguiu dormir, inclusive dentro de si mesma. Estava escuro, as luzes iam surgindo aos poucos. Era como se estivesse num túnel sem fim, sem esperança. Sentiu medo, faltou-lhe o ar, e de repente, surge uma imagem túrgida e ao mesmo tempo serena, de alguém que ela nunca tivera visto, mas que a acalentava de uma forma inexplicável. Ele a conduziu, sem trocar sequer uma palavra, ao final daquele local e, da mesma forma que surgiu desapareceu, silencioso. Ela enfim consegue respirar. E desperta. Olha ao redor e vê aquele mesmo quarto escuro agora iluminado pelo raiar do sol. “É, mais uma vez um sonho!”, pensou, e aos poucos foi se levantando para mais um dia agitado do início da sua vida.

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