O documentário A negação do Brasil – O negro na Telenovela, retrata os estereótipos que os atores negros representam nas telenovelas. A cultura brasileira é marcada por uma identidade múltipla, uma mescla de culturas, assim como, de acordo com a teoria culturológica, são todos os povos, já que ninguém é desprovido de cultura. Quando a televisão expõe determinado estereótipo acerca dos negros, faz com que uma infinidade de pessoas pense que estes estereótipos condigam com a realidade e isto influencia no modo com que as pessoas se relacionam umas com as outras. Isto gera uma série de conseqüências, devido à grande disseminação promovida pela mídia através das novelas. A mídia, neste caso, tem papel fundamental na formação identitária do negro no Brasil, já que com a disseminação das novelas e, consequentemente, a disseminação desses estereótipos, esta denotação faz com que haja conseqüências destas representações nos processos de construção da identidade brasileira. O documentário mostra que a nossa diversidade racial e cultural transforma-se, nas telenovelas, no paradoxo de um Brasil branco. A pesquisa mostra de forma incisiva que o lugar do negro nas tramas exibidas na televisão não mudou e que continua a se reproduzir no século XXI. "Ao discutir a imagem do negro na mídia a partir da novela, que reforça a identidade negativa e destrói sua auto-estima, Joel Zito abraça uma das frentes de combate para mudar este quadro, reavaliando os estereótipos que influenciam o comportamento da sociedade.", disse o Prof. Kabengele Munamba. O próprio autor do documentário afirma que "o enfoque racial da televisão brasileira é resultado da incorporação do mito da democracia racial brasileira, da ideologia do branqueamento e do desejo de euro-norte-americanização de suas elites". O documentário mostra os estereótipos aos quais os atores negros foram submetidos. A “mãe preta” da literatura brasileira e a “nanny” do cinema norte-americano, eram os papéis dados às atrizes negras gordas. Suas personagens eram sempre bem humoradas e protetoras. Além dessas personagens, atores negros sempre viveram papéis de escravos, jagunços, empregadas domésticas e fiéis guarda-costas do patrão.
(Elias Bastos Araujo - 2007)
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