No silêncio de mais um traído(r)
O que esperar de um desgosto interminável?
O que esperar se nada mais se espera?
O poeta surpreende-se a cada dia
Pelos anseios sofridos de uma equação sem resposta.
Julgaram as verdades de uma fatal expectativa
E agora, estendem a mais valorosa fonte de amor,
Sem pensar que nem sempre as coisas são o que aparentam ser.
O que na verdade é real, funde-se a mais inútil e descrente fantasia.
Viver nesse mundo? Ser desleal aos seus valores?
Ser infiel à fidelidade e ser fraco à mentira?
É enxergar, é viver, é amar!
Que paradoxal encontro de “razões”!
A verdade de mais um sentimento foi traída,
Mais uma vez aquele que acreditavas ser,
Foi assassinado cruelmente pela realidade do mundo!
Seus instintos mais felizes o contrariam a cada segundo!
A vergonha daquilo que fomos capazes de fazer,
E que fazemos inúmeras vezes na busca da satisfação,
Ou simplesmente por ganância, ou por diversão,
Nada mais feliz nas resoluções do que andar em busca da felicidade!
O nojo de se olhar no espelho, logo após mais um beijo traiçoeiro,
O asco de se ver caluniador na tua verdade,
O horror de ser honesto nas mais sinceras mentiras,
O repúdio de estar aqui!
Mais uma vez trair e ser sujo,
Mais uma vez, sem resposta, saltar o muro da insensatez,
Pular a história de mais um “nós dois”,
Ter a certeza de iludir mais um “final feliz”!
E agora? Trair a si mesmo ou ao mundo?
Viver esquecido ou sofrer sem sentir?
Morrer de angústia ou calar os sentidos em mais um despido e frio “estar”?
Sentir a ilusão de mais um “alguém” ou acordar da sua própria ilusão?
Fingir o “não sentir” ou não sentir?
Calo mais um pérfido jogo de palavras em mais uma incerteza,
Mais uma forma de saber que nada e nem ninguém sabe o que pensa saber!
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