O anel das dúvidas e memórias
Um dia, você coube no meu médio.
Um dia eu soube que tinhas as minhas exatas medidas.
Como se fosse feito pra me envolver,
como se eu não precisasse buscar outros olhares...
Hoje, cerras o meu fluxo, impede-me de caber-te dentro de mim.
Acho que agora a única medida que lhe cabe é a da porta da saída,
aquela mesma que atravessastes naquela noite e que, um dia, me forçou a engrossar os dedos sem nem perceber.
Agora o plástico já não é mais tão transparente,
o pó imundo dificulta olhar para a beleza de dentro (que já não existe),
as flores amarelas estão cada vez mais tortas e amareladas,
as azuis murcharam sem nem se moverem,
aquela cor brilhante dos cristais foi apagada pelo polvilho do tempo
e a tal euforia de colocar-te em mim passa quando vem a lucidez, mas, de uma maneira maluca, retorna ao som da sua voz, aquela que tapa a minha indigência...
Um dia você coube em mim,
hoje nem entra, nem sai,
nem aumenta as minhas palpitações...
Mas tenho medo de perder-te,
medo de me perder,
medo de ficar sozinha, inópia na minha penúria...
Tenho medo porque não gosto que as luzes do passado se apaguem e eu fique no escuro...
Gosto apenas de manter-me na claridade...
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