segunda-feira, 27 de julho de 2009

O DESCONHECIDO

O DESCONHECIDO

Era pequeno, frágil e inofensivo. Estava parado, bem diante dos meus olhos. Ele chamou a minha atenção. Em meio ao cinza das ruas, debaixo de um sol rachante, em pleno dia de semana. Eu não sabia o que era aquilo, não fazia idéia. Por alguns segundos, mirei-o atenta e curiosa. Aquele ser miúdo e verde em meu pára brisa. Os prédios agora passavam despercebidos pelos meus olhos. Tudo passava despercebido, a loucura do movimento, das ruas, dos relógios. Por instantes, viajei no pensamento, fui parar longe daquela doidice da rotina.
O sinal fechou. Dois meninos faziam malabarismo em frente ao carro, pareciam cansados, o sol estava realmente forte. Pus a mão no bolso e tirei quatro moedas, duas de cinqüenta e duas de dez centavos. Instintivamente, catei as moedas de dez e entreguei-as nas mãos do mais velho. “Para os dois”, disse. Olhei minha mãe sentada ao meu lado e pensei em como aquela boa mulher já tinha se acostumado com aquele tipo de cena cotidiana.
O sinal abriu, saímos dali. Enquanto os carros zarpavam em seus trajetos mecânicos, eu pensava em como seria possível não se indignar com o que tínhamos acabado de ver. Às vezes, converso comigo mesma, ainda que não consiga encontrar respostas. Às vezes, converso com Deus e imagino que ele responde, mas muitas vezes não consigo captar as respostas “Dele”.
Parei de pensar em besteiras e me deparei olhando novamente para aquele ser minúsculo preso no limpador de pára-brisa do carro. Era verde, tinha as patas tão pequeninas... É, realmente eu nunca tinha visto um animal daqueles.
-Mãe, que bichinho é esse preso aqui no pára-brisa?
-Ah, filha, esse bichinho, no interior, as pessoas chamam de Esperança.

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