O solo grudava na sola dos pés. Arrancava poeira vermelha, levantava alto as marcas do chão. E também arrancava sangue dos calos abertos pelo quentume da terra lascada. Respirava seco, não tinha ar que pudesse saciar seus pulmões. A única baforada soprava-lhe a nuca, era o sol ardente daquela tarde de setembro.
Os quilômetros iam passando embaçados naquele caminho que sempre lhe parecia familiar. As vistas turvas, os braços aleijados, as pernas iam derreando bambas, tremelicando ao tentar sustentar o peso da sua leve carcaça.
A pele vermelha, branca de tão seca, tentava suar, arrancar qualquer pingo d’água que existisse em si. Ele chupava seu próprio suor feito um bicho para que não escapasse uma gota de baba que pudesse escorrer de sua boca. Chorava sem lágrimas, apenas com o aperto que se sente no peito. Sentia todos os órgãos secos, os olhos grudados, a barriga pesada de tanto vazio. Era um fiapo rasgado de homem perdido num imenso universo vermelho.
Sentia tanto frio, um frio que lhe sugava até a alma. Um frio quente, tão quente que lhe tostava a pele, assava seus miolos poucos, deixava-o cada vez mais fino e manco. E seus passos trôpegos conduziram-no feito um bêbado ao fim do chão. E ele se acabou no que restava de ar, os pedaços de seu corpo ganharam vida ao se estraçalharem no chão.
O coração saltitava ferozmente no peito, como jamais havia saltitado antes. E entre cólicas e convulsões sentiu-se livre, pela primeira vez, sem as amarras que o prendiam àquele chão fumegante. Se corpo desmembrado da cachola... Agora não teria mais que pensar nele, sentir fome, sede, frio ou medo. E ele viu uma imensidão de cores na aquarela do infinito... Pela primeira vez viu um cenário que não era aquele, onde poderia catar seus cacos e montar um novo homem, não mais aquele bicho de cascos calejados. Agora, jamais lhe faltaria ar, ele estava voando...
Os quilômetros iam passando embaçados naquele caminho que sempre lhe parecia familiar. As vistas turvas, os braços aleijados, as pernas iam derreando bambas, tremelicando ao tentar sustentar o peso da sua leve carcaça.
A pele vermelha, branca de tão seca, tentava suar, arrancar qualquer pingo d’água que existisse em si. Ele chupava seu próprio suor feito um bicho para que não escapasse uma gota de baba que pudesse escorrer de sua boca. Chorava sem lágrimas, apenas com o aperto que se sente no peito. Sentia todos os órgãos secos, os olhos grudados, a barriga pesada de tanto vazio. Era um fiapo rasgado de homem perdido num imenso universo vermelho.
Sentia tanto frio, um frio que lhe sugava até a alma. Um frio quente, tão quente que lhe tostava a pele, assava seus miolos poucos, deixava-o cada vez mais fino e manco. E seus passos trôpegos conduziram-no feito um bêbado ao fim do chão. E ele se acabou no que restava de ar, os pedaços de seu corpo ganharam vida ao se estraçalharem no chão.
O coração saltitava ferozmente no peito, como jamais havia saltitado antes. E entre cólicas e convulsões sentiu-se livre, pela primeira vez, sem as amarras que o prendiam àquele chão fumegante. Se corpo desmembrado da cachola... Agora não teria mais que pensar nele, sentir fome, sede, frio ou medo. E ele viu uma imensidão de cores na aquarela do infinito... Pela primeira vez viu um cenário que não era aquele, onde poderia catar seus cacos e montar um novo homem, não mais aquele bicho de cascos calejados. Agora, jamais lhe faltaria ar, ele estava voando...
1º LUGAR - CIRCUITO LITERÁRIO COLÉGIO CÂNDIDO PORTINARI - 2008

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