segunda-feira, 27 de julho de 2009

Precisa-se de profissionais

Precisa-se de profissionais

Não, este artigo não deveria estar na página dos classificados. Sua intenção também não é alertar sobre o desemprego ou o subemprego, assuntos tão corriqueiros na vida de todos os brasileiros. Nem apontar mais divergências sociais existentes em nosso país. O que será discutido de fato é a necessidade de verdadeiros profissionais no ambiente de trabalho.
Competência está em falta no mercado. Ética e competência. Acho que atualmente não ligamos mais para isso. Sem querer entrar profundamente nos aspectos da problemática social, desde sempre somos “educados” para ser incompetentes. São os nossos exemplos, ou melhor, a falta deles.
Crescemos e aprendemos com os erros a errar mais. Aprendemos a faltar aula por qualquer motivo, depois a faltar ao emprego, a “furar” a fila do banco, ocultar quando o cobrador erra o cálculo do troco, e outros inúmeros pequenos exemplos, que de pequenos tornam-se enormes.
Este é o futuro do professor mal pago, do assassino de aluguel e do juiz “lalau”. É o futuro de toda uma nação mal educada para a sociedade e para a vida. Este é o futuro de “profissionais” insatisfeitos que, para se vingar da má sorte, descontam o que podem na sociedade que os fez assim, formando mais uma geração de novos “profissionais” a seu espelho. É como olhar o passado e ver tudo refletido no presente.
Mas isso não é tudo. O que dizer dos políticos corruptos, dos juízes corruptos, dos advogados corruptos? Nossa, quanta corrupção junta! É a velha história do rico ficando milionário e o pobre miserável.
Uma gama de trabalhadores “satisfeitos” dando péssimos exemplos. Seja o político do “mensalão”, seja a advogada que acolhe o fugitivo em sua casa, (que grande ironia), sejam até mesmo os nossos jornalistas, que moldam a nossa opinião de acordo com suas ideologias, quando deveriam ser pouco parciais naquilo que fazem, "descritores da informação", como diz um amigo meu.
Esse jogo de falta de ética, respeito e principalmente dignidade no trabalho, forma a base para o que somos hoje. Profissionais sem amor ao seu trabalho, sem integridade para com a sua vida profissional; uma sociedade puramente capitalista, em que o dinheiro está acima dos sentimentos. Hoje somos desqualificados, desinteressados, falhos, alienados. Esse desinteresse pelas coisas simples e até as mais complexas da vida, ilustra uma juventude completamente acomodada. Uma juventude proveniente de outra totalmente diferente, cheia de lutas e conquistas históricas.
Quem não se lembra dos “caras pintadas”, que enfrentaram uma realidade semelhante à atual e conseguiram depor um dos grandes corruptos da história do Brasil? Ou, quem sabe, outros jovens anteriores a estes, que lutaram e conseguiram pôr fim à ditadura, muitos deles torturados, exilados ou mortos?
A história nos mostra que o passado conquistou “tudo” para o presente e os jovens de agora, com tudo nas mãos, parecem não querer mais nada. Não anseiam por nada. E assim tornam-se os profissionais do presente e do futuro. Que profissionais! As aspirações aos sonhos acabaram. E é assim que a ética e a competência se constroem.
Precisa-se urgentemente de profissionais, no sentido bruto da palavra, alguém que possa exercer uma atividade por ofício e não apenas por dinheiro, por prazer e não apenas por dinheiro, por amor e não apenas por dinheiro. Porque se for pelo dinheiro, ninguém precisaria cursar em média quatro a cinco anos de uma faculdade para fazer teoricamente aquilo que gosta, bastaria que as faculdades ensinassem a como ganhar dinheiro.


(Selecionado para o concurso: Jornalistas do Futuro - 2006 - Categoria: Artigo)

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