segunda-feira, 27 de julho de 2009

ROCK IN RIO VERMELHO

Rock in Rio Vermelho
Aos trancos e barrancos, o rock soteropolitano sobrevive neste bairro

Por Elisa Araujo

Os espaços para o rock em Salvador são escassos, mas eles estão, em sua maioria, no bairro do Rio Vermelho. Idearium Bar, Nhô Caldos, Blue House, Boate Boomerangue são exemplos de locais onde o rock tem seu lugar. Quem não se lembra, também, do Café Calypso, local que trouxe grandes sucessos e deixou boas lembranças, mas que hoje não funciona mais.
Nestes ambientes, acontecem shows de rock desde o heavy metal ao rock alternativo. Porém, os locais são pequenos, sem boa ventilação e grande estrutura para as bandas se apresentarem. Raros são os espaços dedicados 100% ao rock, pois não há interesse em financiar este estilo em Salvador, onde o ritmo samba-reggae, conhecido com axé, trás mais retorno financeiro.
Os espaços de rock no Rio Vermelho são bem próximos e bem parecidos em sua estrutura. São casas de pequenas, em locais não muito visíveis. O Idearium Bar fica próximo ao largo de Sant’Ana, onde encontra-se famoso acarajé da Dinha. Já foi palco de shows como o da banda paulista NxZero e a grande “bola da vez”, a banda baiana Canto dos Malditos na Terra do Nunca, além de outras. Porém, o espaço físico não comporta uma grande quantidade de pessoas, além de ser pouco ventilado. Geralmente, no Idearium ocorrem shows de rock heavy metal e hard core.
Já a Blue House é um local onde ocorrem, geralmente, shows de hard core e punk rock. Mas temos o exemplo da banda Incárcere, que é uma banda com influências do movimento grunge de Seattle e que também já fez apresentações neste local. A estrutura é bem semelhante ao do Idearium: pequeno, com pouca ventilação e “escondido”. Hoje em dia, os shows neste espaço acontecem com menos freqüência que antigamente. Tanto a Blue House quanto todos os outros espaços acima citados funcionam, também, como casas de eventos, como celebrações de debutantes, aniversários e outros.
ESPAÇOS CLÁSSICOS - O Café Calypso já foi considerado para votação no Prêmio Dynamite, em 2003 e 2004, como melhor casa noturna, concorrendo com espaços semelhantes em todo o Brasil. Em 2006, o Calypso foi fechado pela Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom). O espaço era considerado de alto risco para quem freqüentava, por falta de estrutura física e, além disso, os visinhos alegavam uso de drogas ilícitas pelos seus freqüentadores. O Café Calypso era uma espécie de plataforma de lançamentos para as bandas baianas. Lá tocaram bandas como Pitty, Nancyta e Os Grazzers e muitas outras, antes de partir para outros Estados. Além disso, uma programação eclética, mas sempre voltada para o rock, acontecia praticamente todos os dias da semana, com bandas cover ou ainda artistas de menor projeção. Apesar de tudo, o Calypso traz boas recordações e deixa imensa saudade para quem encontrava ali um abrigo do rock baiano.
A Boate Boomerangue e o Nhô Caldos são espaços onde também acontecem shows de rock. A Boomerangue funciona como boate, mas lá ocorreram os últimos shows da Attrito Produções. O projeto da Attrito é voltado a prestigiar o rock e, portanto, sem restrições as suas vertentes. O Nhô Caldos é um bar onde acontecem shows do blues ao samba. É considerado “um reduto de roqueiros órfãos de um bom bar, boêmios violeiros, modernos e quadrados, pagodeiros bem intencionados e toda a sorte de galmourosos marginais desta terra de Soterópolis.”, disse Hebert Valois, em texto para o site da Nhô Caldos.
ENVOLVIDOS COM O ROCK - Em relação aos espaços, os produtores culturais Jarbas Meira, da Jarbas Produções; e Armando Brasil, da Produtora Pequena Notável, asseguram que é necessário gostar de rock para investir, pois neste negócio, “se gasta mais do que lucra”, como disse Armando Brasil. “A divulgação e o público são insuficientes, e achar locais que trabalhem dessa maneira é quase impossível”, afirma Jarbas.
Os fãs, por sua vez, quando questionados a respeito da estrutura para o rock em Salvador reclamam: “todos os espaços são muito abafados. A Idearium e a Blue House parecem um ‘ovo’, a Boomerangue é mais elitizada, cobra os ingressos mais caros e nem faz shows de rock constantemente.”, diz Laís Souza, admiradora e cantora de rock.
Para muitos fãs, não há outra alternativa. “Quem gosta de rock, vai aos shows, onde quer que eles estejam”, disse Rafael Ribeiro, baixista da banda The Idiots e freqüentador de shows rock.
As bandas encontram ainda mais dificuldades. A banda Elipê, por exemplo, no início da carreira, “pagava pra tocar”. “A gente alugava o espaço, se virava pra arrumar som, transportar os instrumentos e ainda ficava na bilheteria de alguns espaços. Eles ajudam sim, cedendo o ambiente para o rock, mas não dão tantas facilidades.”, disse Mateus Lopes, guitarrista da banda.
Além disso, as bandas afirmam que elas são “restringidas a duas ou três casas de show, há mais bandas de rock boas do que locais para se apresentarem”, como disse Nancyta, vocalista da banda Nancyta e os Grazzers, no documentário Se liga Rapaz para a TV FTC.


(Elias Bastos Araujo - 2007)

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