Sorria, você está sendo filmado!
Após duas horas de documentário, discussões e debates, chego em casa ainda sob o efeito alucinógeno das verdades que teimavam em não querer entrar em minha cabeça. Procuro no dicionário o conceito mais importante do momento para mim: afinal de contas, o que é “jornalismo”? O léxico, instrutor das palavras, me dita: “1-A prática, a vida, a profissão de jornalista. 2-A arte e ciência de dar notícias em revistas, jornais, TV, etc.”. Ainda não convencida, leio o que Ruth Rocha diz sobre “jornalista”. “Pessoa que trabalha em jornal, como redator, repórter, fotógrafo, articulista ou colunista.”. Re-analiso toda a imagem que interpretei pela manhã. É, realmente não é isso que vemos diariamente. Dei uma olhada no site “observatório da imprensa”. Agora, tudo virou uma enorme gozação. Olhei os textos, a lista dos nossos tão renomados “jornalistas”... Gargalhei. Tantos nomes obscuros, tantos escritores sensacionalistas, tanta baboseira forma a nossa “imprensa”. Lembrei das matérias que li durante toda a minha vida. Tentei não calcular que tudo o que eu penso hoje pode não ser fruto de mim mesma, como sempre acreditei. Tentei não crer que a liberdade de expressão, impregnada na nossa fala diária, pode ser uma arma contra nós mesmos. Os monstros do poder são tão imundos... Os donos dos sorrisos “salvadores”, os revolucionários da repressão, os combatentes sujos dos marajás, (não sei se mais ou menos imundos)... É tanta sujeira que nem dá vontade de prosseguir. Do jeito que estou, sigo minha vida, sem precisar usar das mais “comuns” maneiras de atravessar as fronteiras e atingir o monopólio e a riqueza do poder. Até agora, eu não sei até onde eu não consigo ser corrompida e penso que é melhor parar por aqui. O mundo muda tanta gente, não é mesmo? Quem sou eu, réles humana, pra me declarar imutável, eticamente inabalável? Nada do que possa fazer neste instante vai mudar o agora, apenas uma lavagem cerebral intensa, uma descatracalização e “deschipização” dos alienados modernos vai salvar a minha consciência. Prefiro permanecer com a dialética das palavras de chacota e a edição dos erros humanos, não a dialética das palavras de manipulação e a edição dos documentos e imagens da real liberdade. Ainda procuro aquelas informações que realmente informem, que mudem a história, não procuro fofocas e ostentação do poder. Volto à Ruth Rocha, agora procuro a ‘vergonha’. “1-Sentimento que leva as pessoas a não praticarem atos que são ou que julguem ser contrários às normas morais vigentes num grupo social. 2-Timidez, acanhamento. 3-Ato indecoroso.”. Bem, de atos indecorosos, a imprensa está cheia! A vergonha está em falta, senhores e senhoras... Mas a minha revolução já basta, pelo menos pra mim. A vontade ainda não morreu. Cito Olga: “Lutar pelo justo, pelo bom, pelo melhor do mundo”. Se não fosse por “vagabundos” como ela... Não, jornalismo não é uma arma do poder, ou para se instaurar um quarto poder. Não sorria, você está sendo ridiculamente usado, articulado para ser conformado com o que tem, (ou não). Sim, você está sendo manipulado!
(Elias Bastos Araujo - 2007)
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