Nem lembrava como era me sentir assim... Parece que você renovou o meu “eu” e conseguiu me transformar em uma criança novamente, daquelas bem traquinas e que nunca sabem o que estão fazendo. Parece que eu descobri uma parte morta de mim, ou que nunca teve a chance de nascer; aquela parte ofuscada pela antecipação da minha maturidade, pela falta de vivência nua da minha adolescência. Só sei que não sou mais eu, e a cada segundo eu gosto muito mais de estar ao seu lado. Passam-se os dias, as horas, os segundos, e eu rezo, rezo para que quando você se sente ao meu lado, me abrace, como das outras centenas de vezes em que nossos corpos dividiram o mesmo espaço. Apaixonei-me pelo seu jeito de sorrir, desconcertado e lascivo, sorriso este que emites a cada conquista ou a cada despedida. Sei também que não quero me ver longe de você, que não quero dividir as minhas manhãs com outra pessoa. Descobri o que sinto, quando, ao te olhar, encontrei também o seu olhar, um olhar que eu procurei por anos e anos desperdiçados com a distância de não te conhecer. Não é nada demais gostar de alguém, não é nada demais. Não nos roubam a vida se não deixamos e não nos afrontam se não nos entregamos, mas nem sempre se entregar chega a ser algo ruim. Gostar, antes de amar, é sentir, unicamente, sempre. Acima de todas as coisas, mesmo que para isso tenhamos que renunciar. Não é nada demais... Sei o que sei porque há pouco descobri, quando fui obrigada a me desprender do meu passado para conquistar meu futuro. O que eu escuto por ai, de poucas pessoas por sinal, é que o nosso futuro está condicionado e que se não nos explicarmos um ao outro, se não formos sinceros diante do que está aos nossos olhos, sofreremos por algo não vivido. Talvez se não vivermos, sempre lembraremos do passado pensando em como seria se tivéssemos sido “nós”. É por isso que eu quero, hoje mais do que nunca. É por isso que eu te quero, tanto! Não sei mesmo porquê. Me meti em confusões, eu sei, senti tudo na hora errada. Não era pra ser assim, não agora. Se fosse de outro jeito... Se tivéssemos nos encontrado num cinema, num elevador, numa rua; se nos esbarrássemos e tivéssemos que pedir desculpas... Se eu não tivesse confundido tudo no início e tivesse percebido o que eu realmente queria... Se, se, se... O passado não volta! Outrora eu aconselhei alguém a não se condicionar, a não pensar em como seria ou como deveria ser. Olha eu aqui, errando como ele... Mas assim são os seres humanos, complicados. E por ser assim, acho que não entendes uma só palavra do que eu aqui descrevi, mas nem sempre a gente precisa entender o que vem do coração, basta sentir, e eu sinto! Talvez entenda, se identifique com o que eu também sinto. Ou talvez não sinta... Devemos sempre contar com todas as possibilidades, não é mesmo? Eu ainda não sei que tipo de amor é o nosso, ou o “meu”, mas posso afirmar que te amo... De um jeito que só eu sei, só eu! Às vezes as músicas falam por mim, poucas falam exatamente o que eu gostaria de dizer. Uma delas, no entanto, me chamou a atenção por parecer ser escrita neste exato minuto em que transponho o que sinto em um papel, na hora em que a minha vontade era pegar o telefone e te ligar dizendo tudo o que não tenho coragem de falar cara a cara... E, quem sabe também ouvir o mesmo vindo do outro lado da linha... “Quis evitar teus olhos, mas não pude reagir, fico à vontade então. Acho que é bobagem a mania de fingir negando a intenção. E quando um certo alguém cruzou o teu caminho e te mudou a direção... Chego a ficar sem jeito mas não deixo de seguir a tua aparição! E quando um certo alguém desperta um sentimento é melhor não resistir e se entregar... Me dê a mão, vem ser a minha estrela, complicação tão fácil de entender, vamos dançar, luzir a madrugada, inspiração pra tudo o que eu viver... E quando um certo alguém desperta um sentimento é melhor não resistir e se entregar...”(Um certo alguém - Lulu Santos)
(...) Hoje a minha sorte disse: “Faça apenas o que o seu coração mandar”. Logo hoje, um dia tão distante de acontecer tudo o que está em minha mente; bem antes de eu viver tudo o que eu sonho apenas com você. A distância está exatamente entre o sonho e o que bem longe será realidade. O meu coração me manda pegar o telefone e te ligar... Mas a razão me impede. A razão me impede de tanta coisa... Mas o que mais vale, o principal impedimento da minha razão é o de te dizer o quanto eu te amo. Maldita sociedade, manipuladora e estúpida, que nos faz cegos, no molda exatamente para sermos o que nunca desejamos. Sociedade que pede honestidade em todas as situações, mas que na hora de abrir o seu coração, se esconde por trás das malditas aparências. Eu sei, esta pode ser uma maneira burra de demonstrar o que sinto pra você, escrevendo uma carta secreta que jamais lerá, mas esta sou eu, uma reles humana socialmente encaixada na tal sociedade, a qual julgo e condeno. (...) Este é o momento em que esperamos todas as nossas respostas. Um momento em que conheceremos os nossos verdadeiros sentimentos e emoções. Um momento de muitas perguntas e anseios por respostas imediatas. Mas é este agora, o qual eu partilho com você, que eu sei exatamente o porquê de todas as coisas. Porque os nossos caminhos se cruzaram desta maneira tão surpreendente, maneira cujo eu garanto nenhum de nós saberia o desfecho. É nesta ocasião que eu sei que te amo... Porque o amor é como o vento. Não podemos vê-lo, mas podemos senti-lo. Porque o amor é assim, tão inatingível, mas tão, ao mesmo tempo superável. E tão fácil... “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece. Não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá.” Porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos. Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era criança, pensava como criança; mas, logo que cheguei a ser adulta, acabei com as coisas de menina. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor. E, enfim, algum dia nós saberemos se o amor pode mover uma montanha. Algum dia nós saberemos, porque o céu é azul. Algum dia nós saberemos, o que era certo pra cada um. O amor não depende unicamente de nossa vontade, porque não é apenas escolha, é comprometimento, atitudes e comportamento de responsabilidade por quem nós amamos. Não vale dizer que depende do outro. Não vale essa desculpa. O viver no e do amor é nossa decisão... Uma decisão responsável. O que significa realização e promessa. Amor hoje e amor amanhã. Por que viver sem rumo, se isso é morrer aos poucos, pelo caminho, sem nada realizar de nosso destino, ou melhor, de nossa missão? Por que resistir ao tempo de construção, negligenciar o que nos cabe fazer? Por que apenas sobreviver, se podemos viver? Por que ignorar, furtar-se, omitir-se, quando temos potencial para amar? E o amor é como o vento... Não como a brisa leve... “E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.” Mas algum dia nós saberemos, porque Sansão amou Dalila. Um dia eu irei dançar na lua, algum dia você saberá quem realmente era único pra você. “Escrevo-te estas mal traçadas linhas,espero que desculpes os meus erros por favor, meu amor, meu amor”(...)
Te amo!
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