Ela o olhava, não mais como antigamente. Não sentia a pele esfriar, não sentia medo. Pensou em todo o amor que sentiu, mas agora não sentia nada. Pensou em todas as cartas escritas que jamais foram enviadas, como uma fuga do sentimento que ousava tentar nascer. Pensou naquele rosto, outrora tão sonhado, agora um pouco desconhecido. Desconhecido porque o tempo se encarrega de mudar as coisas, os sentimentos, ou, apenas, se encarrega de fazer enxergar que o que se pensa sentir nada mais é do que uma confusão de envolvimentos solitários... Ela o amava, sim, ela o amou, mas descobriu que não era como pensava. Não queria as ocasiões de um amor romântico, queria, simplesmente, a sua presença. E conseguiu fazer dele um encontro de transformações mútuas de maturidade... "Uma mão lava a outra", as duas mãos constroem possibilidades... E quatro, então, constroem um mundo...
"Coragem, minha pequena, coragem", palavras dele que ecoavam em seus pensamentos... Hoje, ela o amava mais...
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