Uma outra Elis ... A
Dona de um sorriso que não dá vez pra tristeza
Eis que no mundo chega mais uma quase Elis: Elisa
Enfeitada com pequenos sóis
Ela é um ser diferente em meio à humanidade: É Lisa
Escorrega entre as adversidades da vida
Com um meneio de invejar até as mais retadas baianas - Segura, Léo!
Brinca entre rodas, amigos, mãe e irmãs
Entupida de dente na boca, atirando felicidade a torto e a direito
É. Essa é a Lika.
Como uma grande casa, chama para perto seus entes queridos.
Amigas, Amigos, namoradas de amiga, namoradas de amigos - Rs
Gosta de ser humanos do bem!
Sempre alerta para o acaso, reconhece a parte boa
Diminui a parte ruim
Vangloria a parte deliciosa
Sabe aproveitar o que de bom essa Terra nos dá
Sabe soltar o que a essa Terra não precisamos prender
Ela é dona de si, da sua lua e da sua birra
Mas não se iluda: É MULHER!
É menina
É viva
E é minha amiga!
Te amo, Lika.
Você é parte de minha vida.
Deus lhe abençõe!
Parabéns, nessa data e sempre!
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Um relato de solidão
Mais uma vez eu estava sentada no chão, e sozinha. Mais uma vez eu me desencantava por aquela mulher. Havia cansado de esperar alguma bondade de seu coração, que não foi feito para me conhecer, não sabia e nem nunca soube me amar. Desencantei-me principalmente pelas últimas palavras proferidas em nosso encontro. "Então tá!", era como ela concluía nossas conversas. Sou tudo o que sou hoje por causa dela, não nego. Posso ter todos os defeitos do mundo por causa disso, mas nunca tive medo de nada, nem nunca fui manhosa com as coisas da vida. Nunca tive tudo, ou nada, dependendo do ponto de vista. Embora sempre tenha almejado entrar naquele escudo emocional que nos feria a ambas. No entanto, era tarde. Ela estava morta. Não houve tempo nem espaço, não houve choro nem saudade. Apenas um vazio, nem grande nem pequeno, somente a certeza de que ela não voltaria mais. O seu espaço jamais seria preenchido, a sua culpa, se é que houve culpa, jamais seria perdoada. E eu jamais seria a mesma, se é que sequer consegui ser alguém nesse mundo. Essa mulher jamais havia me intrigado tanto quanto agora, embora eu soubesse que qualquer mistério que houvesse em si jamais pudesse ser solucionado. O que houve entre nós? A primeira resposta que me ocorria era nada, apenas nos completávamos como nos havia sido destinado. Mas o fato é que este tipo de questinamentos retóricos jamais haviam me ocorrido, e isso sim me intrigou bastante. O que há de tão intrigante assim na morte? É somente o fim. O fim. Embora jamais tenha havido começo. Nunca fui molenga, e a culpa, se é que um dia lhe ocorreu culpa alguma, é sua. Nunca soube ser alguém, nunca tive amigos, nunca me desloquei pelo mundo, nunca fui. Apenas estou. Nunca externalizei qualquer coisa, até porque nunca senti nada. Houve, sim, uma vez em que tentei conversar, e ela me veio com a frase mais lembrada de sempre: "Então tá!". Mais nada. Eu dizendo àquela mulher que eu precisava do seu amor e que ela jamais soube me amar e ela dizia "então tá". O que houve em si? Apenas um emaranhado atômico e biológico do conceito da existência? Como poderia haver tamanha indiferença? Foi a última vez em que tentei chamá-la de mãe. Foi a última vez em que tentei amá-la. Os anos se resumiam à tentativa de sair de casa, e o mais depressa possível. Não nos falávamos mais, aliás jamais conseguimos desenvolver um fio de conversa. Nos relacionávamos como prestadoras de serviço uma a outra. O dia em que saí de casa me lembrei do dia em que descobri que não tinha mãe, no significado conceitual amoroso que se estabelece. Lembrei-me do dia que, embora um ser minúsculo, quis chamar sua atenção para as minhas necessidades. Chorei, escandalizei dentro de um shopping e ela, com suas moderadas palavras me disse para eu parar. Não calei. Insisti. E ela disse: "Então tá!" pela primeira vez. Saiu e me deixou sozinha no shopping. E eu lá fiquei pelas mais longas 4 horas da minha vida, imóvel, esperando ela voltar para me buscar. Ela não voltou. Em vez disso, apareceu um homem estranho que me chamou de "boneca" e me levou pra casa. Nunca soube quem era aquele homem nem como ele conhecia o caminho até a minha casa. Ele me deixou na porta, deu com a mão e eu segui sozinha até a entrada da sala, onde ela estava esparramada diante da televisão. "Já não era sem tempo!, retrucou. E eu, nada disse. Apenas baixei meus olhos e segui para meu quarto. Foi a primeira vez que me dei conta da sua indiferença, foi a primeira e a única vez em que tentei resolver algo escandalizando e urrando em desespero. Por longos anos solitários, segui sem amigos. Não conseguia me relacionar com ninguém, afinal, não tive um bom exemplo em casa. Na realidade, não sei de onde venho, nem se sou filha legítima desta mulher. No único episódio em que tentei conversar, não obtive resposta aos meus questionamentos adolescentes. Aquela mulher seguiu sendo uma estranha pra mim por mais todos os anos de minha vida, até o seu fim. Ainda tentei visitá-la quando adulta, mas nunca conseguíamos conversar nada além dos assuntos mais fúteis e corriqueiros. Desisti. E ela não me procurou também. Por 10 anos, não obtive notícias, até o dia de hoje. Recebi um telefonema de um hospital alegando que minha mãe estava morta. Morte natural, foi o diagnóstico. Morreu sentada na velha poltrona diante da televisão. Fui até ela, lhe falar, mesmo sem falar, pela última vez. Forcei-me a lembrar de sua últimas palavras e em que ocasião. Lembrei. Havia lhe contado que pretendia viajar por um tempo, por isso estaria sumida dali. Ela me disse: "Então tá!". Nenhuma despedida, nenhuma confidência, nenhum abandono. Nada. E nada foi o que senti. Até me forcei a chorar, mas era uma desconhecida, afinal. Pedi aos médicos que me concedessem um desejo. Queria um teste de DNA. Afinal, eu não devia ser legítima, eu só podia ser castigo. Não era. Ou sim, dependendo do pensamento dela. Vai saber. Depois, fui até sua casa. Tudo estava no mesmo lugar de sempre. Almofadas impecáveis no sofá, talheres brilhando nas gavetas. Aliás, sua única satisfação estava em deixar tudo milimetricamente organizado. Era mais uma compulsão. Subi até seu quarto, lugar onde jamais havia entrado. Hesitei diante da porta. Irrompi-me. Meus olhos ofuscaram, quase não acreditei. Não havia um lugar entre aquelas paredes que não tivesse uma fotografia minha. O engraçado é que eu não me lembro dela tê-las tirado. Acho que essa era realmente a sua intenção. Haviam fotos inclusive do tempo em que eu não a estava visitando. Por um segundo duvidei dos terríveis anos da minha vida. Sob a cama havia um bilhete. "Eu tentei te amar como gostaria, como você merecia. Não pude. Não pude aceitar o que havia acontecido com a minha vida, com o maior amor do mundo, que no dia do seu nascimento, se perdeu. Seu pai me deixou. E como eu amei aquele homem. Como eu amei você, mesmo tentando te odiar. Hoje percebo que te criei bem para o mundo, pois fiz de você a mulher mais corajosa, aquela que jamais sofrerá por amor, como eu sofri. Não se pode confiar em ninguém nesse mundo. Todas as noites longe de você, desde o momento em que te amamentava, foram noites de lágrimas para mim. Não houve um só dia que eu não me maldissesse por você existir e por eu te amar tanto assim. Eu não poderia assumir para além de mim, entende? Então, te vigiei de longe. Sei quem você é, embora não saiba quem eu sou. É melhor assim. Me conhecer agora só te faria sofrer a minha perda e toda esta revelação, do amor que eu sentia, mas não podia te dar. De longe, te olhava desde aquele dia no shopping, em que você ficou parada me esperando. Então, eu pedi para aquele homem te trazer até a mim, alegando que esta era a minha forma de te educar. E não deixa de ser. Você cresceu forte, embora sozinha. Peço perdão por isso. Mas, como já te disse, não se pode confiar em ninguém. Espero que um dia você compreenda tudo o que tento te dizer agora, mesmo postumamente. Então tá!". Pela primeira vez em 30 anos eu consegui chorar. E não parava mais. Aquela mulher me amava, de um jeito diferente, mas me amava. Eu poderia viver, enfim. Eu poderia viver! E soube perdoá-la, mesmo que ela continue sendo uma incógnita para mim.
Para Léo
Eu até tentei fazer poesia pra você, mas me coube a sensação de que qualquer palavra escrita não seria suficiente. E a cada palavra proferida, me coube a sensação de entrar no clichê de todo e qualquer casal apaixonado. Então, olha pra mim, apenas um olhar e um sorriso seu me bastam para te dizer, sem precisar dizer, o quanto eu te amo e te quero bem. Olha pra mim e todo o sufoco do meu peito cessa e o acalanto do seu olho me sossega. E se não puder me olhar, me empresta tua voz e sussurra no meu ouvido tudo aquilo que eu escuto de você, mesmo que sejam as mais lindas bobagens numa língua de bebê. Olha pra mim, de longe, e eu sentirei o teu sorriso debruçado sobre minha foto e, enfim, sobre o meu rosto, num abraço gostoso de aconchego que só você sabe dar. E todo o mal, enfim, cessará, pra mim e pra você. Porque eu sei que o amor que emana de mim também sossega o teu peito em qualquer momento. Porque eu sei que o meu amor basta em qualquer lugar do infinito. E mesmo tentando fugir do clichê, cá estou eu submersa sobre ele. Mas pra falar do que eu sinto seria necessário inventar palavras que coubessem o infinito de tanto amor. O maior e mais verdadeiro clichê do mundo: TE AMO MUITO. ESTOU E SEMPRE ESTAREI DO TEU LADO, ACONTEÇA O QUE ACONTECER!
Elisa Bastos Araujo
Segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Elisa Bastos Araujo
Segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Pra você e pra mim, pra sempre...
Mistério do Planeta
Os Novos Baianos
Composição: Galvão - Moraes Moreira
Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop"
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola
A Menina Dança
Os Novos Baianos
Composição: Galvão - Moraes Moreira
Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar
De um lado o olho desaforo
Que diz meu nariz arrebitado
E não levo para casa, mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá!
No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança
E dentro da menina
A menina dança
E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança
Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer
Nascer o que há!
Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
Os Novos Baianos
Composição: Galvão - Moraes Moreira
Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop"
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola
A Menina Dança
Os Novos Baianos
Composição: Galvão - Moraes Moreira
Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar
De um lado o olho desaforo
Que diz meu nariz arrebitado
E não levo para casa, mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá!
No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança
E dentro da menina
A menina dança
E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança
Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer
Nascer o que há!
Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
ócio
A ociosidade é um vício infiel, que desmorona qualquer sonho obstinado. Os vícios se modificam sob a ótica ociosa. Por exemplo, a necessidade incessante e doentiamente viciada por leitura transforma-se facilmente em cochilos depois do almoço. A saudade do amigo distante vira uma eterna esperança por uma ligação inesperada que não parta de você, e que, logicamente, não te faça levantar das cochiladas intermediárias. O ócio é o inimigo da existência. A existência torna-se meramente vegetativa, puro objeto fisiológico para o qual todos estamos destinados: nascer, crescer, dormir, morrer. E nada mais. Mas existe tamanha beleza no ócio, principalmente aqueles gerados por uma tarde de domingo acompanhada de programas fúteis e imprestáveis na televisão. Aí o ócio, por muitos, é negado e facilmente se intitula cansaço, mas um cansaço acometido de uma enormessíssima impotência física e mental. A velha desculpa para o espaço vazio no pensamento, a idéia de que se pensa bastante durante toda a semana e que este é o único horário do dia (e da vida) que se tem a necessidade quase que fisiológica de não pensar. Ou seja, rir (e ficar apático) por besteiras do circo eletrônico. A ociosidade é, sem dúvida, uma companhia constante no pensamento das pessoas, pois ao longo do dia (e da vida) pensamos única e exclusivamente no fim do dia, chegar em casa, tirar os sapatos, tomar um belo banho (em alguns casos) e tirar a velha soneca intermediária. Já existe, inclusive, uma filosofia de vida que prega a necessidade fisiológica de pelo menos uma vez por dia reservar um horário para fazer nada (o que contradiz a idéia, pois o próprio conceito de fazer nada dispensa o fazer no ato de reservar um horário para nada fazer). Acho contraditória, também, a concepção social de maturidade. Você entra na escola desde muito cedo para se preparar para um futuro profissional que, no ato do exercício, só te fará pensar em não fazer nada. É, não tem jeito, o ócio é um vício cruel que, de tão impregnado, já se tornou parte da vida de qualquer cidadão humano (baiano ou não).
Elisa Bastos Araujo
Terça-feira, 17 de agosto de 2010
12:35
Elisa Bastos Araujo
Terça-feira, 17 de agosto de 2010
12:35
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