segunda-feira, 27 de julho de 2009
QUANTO EU VALHO
Hoje alguém me fez lembrar quem eu sou. Hoje alguém me fez acordar e reencontrar os meus valores, muitos perdidos com o (o)correr da vida. Hoje eu consegui enxergar algo além de mim, algo que não fosse o ser pobre que sou agora e que nunca sonhei em ser. Hoje eu aprendi que cada um tem seu valor, para ser mais específica, seu “preço”. Pode ser dinheiro, pode ser comida, pode ser até mesmo a dignidade. Palavra forte, pesada. Muitos têm medo da intensidade de “dignidade”, embora muitos a vendam aleatoriamente. As pessoas têm medo de tudo, eu presumo. O medo é um fiel aliado. Somos seres fadados ao medo, sempre. Medo do escuro quando crianças, medo de bala perdida quando adultos. Medo do “bicho papão” ou medo de “bicho bandido”, “bicho homem” mesmo. Medo de amar e medo de morrer, sofrer... Temos medo de perder o que dizemos ser essencial à sobrevivência, mas não lembramos de ter medo de perder os valores, o que nos é ensinado por nossos pais, avós, tios, tias, parentes ou pelo mundo. Eu aprendi a não roubar e não matar. O meu vizinho aprendeu a tentar sobreviver e por isso ele rouba. Eu aprendi que 2+2=4. O meu vizinho aprendeu que juntando duas moedas de cinco centavos dava pra comprar um pão (antigamente). Hoje eu aprendi que “o mundo é do tamanho que a gente vê”, não quantificado pelo tamanho do que a gente compra. O mundo é do tamanho que intentamos, sonhamos. Por isso temos tantas opiniões distintas, por isso somos pessoas tão diferentes. E é por isso, também, que crescemos e mudamos, ou permanecemos como sempre fomos. Mudar é sempre bom, mas nem sempre todos adquirem essa capacidade. Mudar é difícil. Mas quem muda tem também uma conquista penosa pelo caminho: a conquista da sua identidade. Por isso é tão importante transformar-se, viajar, conhecer novas culturas, novos mundos. Porque só assim a gente vai saber como a gente é diante de amplas e diversificadas situações. Diante do meu espelho, hoje eu soube identificar quem eu sou. Só hoje eu pude ver que nada do que eu cristalizei como invariável não está nem cristalizado e nem, tampouco, invariável. Hoje alguém me fez reconhecer-me diante de tudo o que eu acreditava, para desacreditar em tudo. Para acreditar no dia de hoje, não no dia de amanhã. Porque o que a gente pode mudar em nós mesmos só pode ser agora. Amanhã, ninguém sabe... Hoje alguém me fez lembrar quem eu sou. Hoje eu acordei pro meu verdadeiro mundo.
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